
O texto mais antigo é datado de 1956 e o mais recente é de 1996 – isto é uma distância de 40 anos entre os vários trabalhos, mas a atualidade mantêm-se, ainda que o “heterônimo” C. Pacheco seja mantido como tal – e não deve sê-lo. Na Correspondência Inédita, a investigadora Manuela Parreira da Silva demonstrou que esse Pacheco foi de carne e osso, assinava J. Coelho Pacheco, era comerciante e poeta bissexto, mas interessado pelas artes e letras, pois foi redator da revista Renascença, na qual Pessoa colaborou. No prefácio, salienta Teresa Rita Lopes que a carta (de 20-2-1935) é verdadeira – “destinatário explícito e destinatário implícito tendem a coincidir”–, acrescentando que a missiva “pode ajudar a refazer ou recompor a história” da geração de Orpheu. Manuela Parreira da Silva esclarece que ela foi redigida em papel timbrado da firma J. Coelho Pacheco. o C. Pacheco existiu, fez o poema “Para além de outro oceano” e provavelmente mais alguns, devendo ser excluído, portanto, de heteronímia pessoana.
